Teoria do espelho

Teoria do espelho

Definição

Teoria científica da comunicação que visa qualificar o jornalismo como puramente objetivo, sendo, portanto, um espelho da realidade.

Aspectos distintivos

As inspirações da Teoria do Espelho se concentram na ideia positivista de Augusto Comte no século XIX e tem sua pedra fundamental nas revoluções burguesas do século XVIII.

Com a ideia de uma desvinculação do jornalismo da opinião (principalmente política), e com a expansão das demandas e evolução capitalista, as notícias passaram a ser, também, uma mercadoria, exigindo uma profissionalização das pessoas envolvidas. Neste cenário, surgem figuras como o repórter, que assume um papel de investigador analítico com a única função de reportar os fatos como são.

Dessa forma, o jornalista deveria se portar como um mediador desinteressado e neutro, um mero espectador capaz de narrar fatos de forma objetiva e livre de opiniões. Como um espelho da realidade, essa teoria pressupõe que as notícias são como são, pois, a realidade assim determina. Apesar de ser a teoria de comunicação mais usada na sociedade ocidental, sofre críticas desde os anos 1950 com a Teoria do Gatekeeping.

Análise

Seguindo uma lógica Marxista, a Teoria do Espelho não deveria ser considerada uma teoria científica, devido, principalmente, às suas origens e bases serem fundamentadas em uma prática profissional que criou seus próprios sistemas e regras. Entretanto, o debate sobre a objetividade da informação e como a realidade é retratada pode ser considerado um campo de estudo acadêmico-científico.

A principal crítica à Teoria do Espelho é justamente o seu centro nevrálgico: a objetividade. Com o aumento da produção jornalística e a profissionalização dos envolvidos no processo de noticiar os fatos, mesmo sem ociosidade de seus profissionais seria impossível cobrir todos os fatos. Ainda que estes fatos sejam objetivos, serão incompletos, promovendo uma formação de opinião parcial na audiência.

Dessa forma, essa crítica ganha força na medida em que a tentativa de cobrir todos os fatos acaba por criar filtros sobre o que é noticiado. O primeiro deles seria nas próprias fontes, que por vezes podem ser subjetivas e narrar os fatos de uma forma diferente da realidade. Outro filtro seria na função política da notícia: se por um lado a teoria objetiva do jornalismo surge de um movimento de despolitização jornalística, tratar a imprensa como um negócio dentro da sociedade capitalista para crescer e lucrar o coloca nas margens dos interesses de seus patrocinadores e, também, do próprio Estado. Essa última crítica faz referência a Teoria Newsmaking, que pressupõe que as notícias são como são, pois, a rotina industrial de produção assim as determina.

Sendo assim, é possível dizer que os diversos filtros no processo jornalístico, mesmo que objetivo, trará apenas um lado dos fatos da realidade, possuindo o poder de alterar a opinião pública transformando a notícia em um tijolo na construção de uma realidade que pode ser percebida e que também é diferente da realidade consumada. Isso possibilita que, entre outras coisas, seja criada uma ideia adaptada ou enviesada sobre crime e criminalidade, onde a função política da notícia pode formar a opinião pública a compreender estes fenômenos de acordo com o seu interesse.

Por fim, afirmar-se que a Teoria do Espelho ainda é difundida atualmente pois, a ideia de imparcialidade dos jornalistas dá credibilidade aos veículos de informação.

Referências bibliográficas

BUDÓ, Marília de Nardin. O papel do jornalismo na construção social da criminalidade. In: Anais do XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Intercom/Unisanta/Unisantos/Unimonte. São Paulo: Intercom, 2007.
IESRIVER, Hadassa Ester David. O outro lado do espelho: a realidade por trás da teoria da objetividade no jornalismo. In: Anais do II Congresso Internacional de História da UFG. Jataí, 2011.
MORETZSOHN, Sylvia. Imprensa e criminologia: o papel do jornalismo nas políticas de exclusão social. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2003.
TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo: por que as notícias são como são. vol. I. Florianópolis: Insular, 2004

Referências artísticas

Hitler (Agência W/Brasil, 1987)
Publicidade
O premiado comercial da agência W/Brasil é responsável pela icônica frase "é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade".

Bullet in the Head (Rage Against the Machine, 1993)
Música
O rap de Zack De La Rocha para esta faixa é uma crítica à forma como a mídia constrói e emite notícias, transformando pessoas em zumbis como se fosse uma arma apontada para suas cabeças.

O Abutre (Dan Gilroy, 2014)
Filme
Ladrão encontra uma nova oportunidade de ganhar dinheiro ao filmar acidentes e crimes para vender à telejornais com exclusividade. A ganância o leva a fabricar cenários e até mesmo crimes para gerar novas manchetes.

Diego da Rosa dos Santos
LattesORCID

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